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O TEMPO ANTES DOS MEDIA

Lógicas da “geneologia”: antecedentes históricos da cultura digital
aula 03MAR’10

Referências:
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CIÊNCIAS
vannevar bush:As We May Think” (1945) + memex (1945)
norbert wiener: Cibernetics (1948) + the human use of human beings (1950)
douglas engelbart: a primeira demo. rato, teclado, processador de texto (1962/68)
ivan e. sutherland: Sketchpad_precursor HCI/GUI + descrição por Alan Kay (1963)
theodor h. nelson: xanadu {hyperlink, hipertexto e hipermedia, janelas e documentos paralelos, sistema de publicação electrónica em rede} (1970-1981) + “ComputerLiB/Dream Machines
alan kay: Dynabook_comp. portátil, softwares de edição gráfica, GUI, experiências interfaces gráficas + história computação (1977)
tim berners-lee: world wide web + semantic web (1989>1993)
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EXPOSIÇÕES
cibernetic serendipity. doc + vídeo SAM. Londres (1968)
e.a.t. experiments in art and technology: 9 Evenings: Theatre and Engineering + site documental. NY. 1966 + pepsi pavillion + doc. osaka/japão (1970)
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PUBLICAÇÕES
whole earth catalogue + doc. Steward Brand (1968-1972)
expanded cinema. Gene Youngblood (1970)
radical software (1970)

01//PROGRAMA

PROGRAMA//A&M2

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The Brain is the Screen.
Gilles Deleuze

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Numa aproximação contemporânea e transversal ao termo multimédia, a disciplina procurará perceber em que domínios este contexto estabiliza, ganha método, conteúdo, função e forma. Este reconhecimento, será fundamentado por uma primeira abordagem aos seus antecedentes históricos e culturais que nos permitem, hoje, reflectir de um modo sustentado sobre o design na sua relação com meios, processos, convenções e linguagens da cultura digital.
Num tempo de “ecotones”, Serges Gagnon refere-se ao design como “a apropriação cultural da tecnologia”. Esta ideia revela não só o impacto dos processos de digitalização na metodologia projectual, como reafirma a expansão do design como categoria para além das categorias (Lunenfeld 2004). Sem procurar circunscrever o entendimento dos media como meros agentes de controlo e aparato tecnológico e entendendo-os como claros (in)formadores de novos modelos cognitivos e perceptivos, a presente disciplina entende o território da cultura digital como potenciador de transformações entre um espaço mental e uma realidade material, registo das relações que se estabelecem entre sujeito, técnica, representação e contexto, problemas fulcrais para o discurso do design.
O programa coloca o enfoque, não no momento em que os processos de design se encontram com o digital (a partir da revolução desktop publishing, ou quando o designer começa a usar os sistemas computacionais na concepção dos artefactos de comunicação), mas quando o seu processo se converte totalmente aos valores da cultura digital (na concepção, produção, implementação, distribuição, fruição ou consumo).
Ao centrar o programa no multimédia e hipermedia (ou quando o multimedia se encontra com o hipertexto), entendem-se estes modelos como o restaurar das ligações naturais do Design de Comunicação aos seus vários modos de representação: tipografia, fotografia, desenho, imagem em movimento, som. A produção nestes domínios, implica a convergência de competências conceptuais, críticas e técnicas (nas tecnologias da informação e comunicação), bem como o reconhecimento de um contexto em expansão.
Em síntese, a disciplina procura circunscrever os aspectos essenciais de uma eventual mudança de paradigma no Design de Comunicação operada pela cultura digital, através da construção de um discurso crítico operacionalizado pela metodologia e prática projectual, sustentado por um conhecimento em profundidade das referências históricas e culturais que “constróem” o nosso presente.

STUART BAILEY

A migração dos signos
(ou como todas as partes constroem um todo em partes)

conferência Stuart Bailey com Mário Moura. FBAUP. 23ABR’09

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O mote para a conferência parecia ser simples—como expandir a legenda de “Extended Caption“, a exposição de Stuart Bailey na Culturgest do Porto, ainda um pouco mais e num outro modelo. Os ingredientes dispunham-se à volta da mesa—dois bons conversadores, um bom tema de conversa.
E assim se adensou a expectativa sobre esta conferência. O resultado foi um auditório cheio numa bela tarde de Primavera, no Porto, pronto a “ler” os três capítulos da apresentação: contexto, objecto e imagens ausentes de “Extended Caption (DDDG)”. A conferência transformou-se, assim, num detalhado preâmbulo à exposição presente na Culturgest do Porto—uma chave determinante para a “leitura” do seu programa.
A 7ª versão desta exposição tem como princípio a recolecção de um conjunto de imagens cuja “única relação objectiva consiste em terem aparecido nas páginas da Dot Dot Dot* (revista editada por Stuart Bailey e Peter Bilak desde 2000 e por Dexter Sinister desde 2007). Como objectivo, a subversão da hierarquia comum entre texto e a imagem. A “tentativa”* configura-se em dois modelos—uma parede de imagens que nos coloca perante a hipótese da leitura do todo ou das partes; um livro que devolve as imagens ao seu ecossistema original (este último em colaboração com os ROMA Publications). Entramos, deste modo, no “circuito-fechado” que tanto parece agradar Bailey—uma publicação impressa recriada numa parede de uma exposição que, por fim, volta a ser “matéria impressa”.

conferencia Stuart Bailey Porto

O modelo da conferência seguiu os princípios que identificam os textos de Bailey, revelando a consistência do seu “modo de pensamento”, uma rede de relações intertextuais em torno de um conjunto de signos e significantes. A vontade de construir narrativas a partir dos “entre-espaços” dos objectos (o território preferencial em que habita a obra do autor) revela-nos o fascínio pela procura das pistas, sem que se tenha consciência imediata de um objectivo final. Partindo de um signo (visual), constrói-se uma narrativa de reconstituição (ou de ficção) que nos leva a outro signo e assim sucessivamente. A imagem parece ser o resultado inesperado de uma longa “tradição oral” —um facto que nos leva a outro facto, uma história que se conta, um ponto que se acrescenta…

É assim que Bailey desconstrói a superfície da imagem e a dota de um sentido profundo, complexo, fruto de um conjunto paradoxal de pré-determinações, efabulações, anedotas e acasos.
Através da revisão do “ciclo de vida” das imagens, Bailey assume-se como agente de recapitulação ou recolecção dos seus sentidos, sedimentados pelo tempo; nesse processo, assume-se tanto a revelação dos factos como a sua distorção. “Salvam-se” as imagens para que estas adquiram um sentido distinto da sua origem. Como se deste modo nos lembrasse que todas as imagens têm uma vida dupla (uma primeira, fruto da sua função original, e outra da sua leitura).
Na revisitação dos factos, “re-enactment” ou recriação da imagem, reconstroem-se a(s) estória(s) que, ao serem convocadas por Bailey, sustentam a credibilidade da narrativa. Através do “olhar”, o autor transforma o signo imediatamente em obra, como se o tempo que dispensa na “leitura” da imagem lhe desse a legitimidade para a criação e, ao espectador, a “chave” para a leitura e fruição da proposta.
Mas é precisamente aqui que reside a subtil abordagem de Bailey; saímos da conferência com uma noção profunda da proveniência das partes (a geneologia exacta de cada imagem utilizada); devolve-se ao espectador o espaço subjectivo da leitura do todo (a relação não-linear das imagens na parede da exposição).

A lição em tangente parece encontrar-se nas questões implícitas que a exposição convoca: quanto tempo perdemos na “leitura” de uma imagem? Qual o tempo de ressonância do sentido que essa imagem adquire em nós? E será possível isolar esse sentido, quando imediatamente o confrontamos com um conjunto concorrencial de outras imagens?
Como arquivo subjectivo e recapitulação dos legados “Mnemosyne-Atlas” de Aby Warburg ou de “Atlas” de Gerhard Richter, “Extended Caption” testa os modos de apropriação e reutilização da imagem num universo confinado à publicação Dot Dot Dot.
Nos limites desta obsessiva “investigação” constrói-se uma última dúvida: qual o método preferencial de Bailey? A arqueologia ou a ficção?

* do texto de apresentação da exposição/Culturgest Porto. Abril 2009

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IMGS Nuno Coelho + Rafael Lourenço